19 agosto 2026 - 09:26
A “Família Global” sob a perspectiva do Alcorão

Segundo o Alcorão, a humanidade pode ser considerada, em termos teóricos, em três grupos: muçulmanos, monoteístas não muçulmanos e ateus. Para cada um deles, o Alcorão apresenta uma mensagem específica e reconhece direitos próprios. Assim, desde o início da missão do Profeta Muhammad (S.A.A.S.), dois princípios fundamentais foram apresentados para orientar as relações entre esses três grupos: “não adorarmos senão a Deus e não associarmos nada a Ele; e não tomarmos uns aos outros como senhores além de Deus”.

O versículo diz: «Dize: Ó Povo do Livro! Vinde a uma palavra comum entre nós e vós: que não adoremos senão a Deus, que não Lhe associemos nada e que nenhum de nós tome outros como senhores além de Deus» (Alcorão, 3:64).

Uma parte desse versículo apresenta um princípio comum a todos os monoteístas, enquanto a outra estabelece um princípio comum a toda a humanidade. Embora o versículo se dirija diretamente ao Povo do Livro, ao convidá-los a adorar somente a Deus e a não associar parceiros a Ele, sua mensagem também alcança toda a humanidade, inclusive aqueles que não creem em Deus, ao rejeitar que qualquer ser humano seja elevado à condição de senhor sobre os demais.

Assim como apresenta uma mensagem específica para esses três grupos, o Alcorão também ordena aos muçulmanos que respeitem os direitos dos demais e até mesmo recomenda a justiça e a bondade para com aqueles que não compartilham de sua fé. Deus afirma:

«Deus não vos proíbe de serdes bondosos e justos para com aqueles que não vos combateram por causa da religião nem vos expulsaram de vossas casas. Certamente, Deus ama os que são justos» (Alcorão, 60:8).

Da mesma forma, no âmbito das relações políticas, os muçulmanos são orientados a não violar os acordos e a respeitar os compromissos enquanto a outra parte permanecer fiel a eles:

«Enquanto eles forem fiéis ao pacto convosco, sede também fiéis a eles» (Alcorão, 9:7).

O Alcorão também ordena que se trate todas as pessoas com boas palavras: «E falai às pessoas com bondade» (Alcorão, 2:83).

Esse princípio não se limita ao relacionamento entre muçulmanos. Ele abrange os três grupos da chamada família global. Os versículos que utilizam o termo “pessoas” demonstram que todos os seres humanos, independentemente de sua religião, crença ou nacionalidade, possuem direitos que devem ser respeitados.

O Alcorão afirma: «Não diminuais os bens das pessoas» (Alcorão, 7:85; 26:183). E, sobre a justiça, ordena:

«E quando julgardes entre as pessoas, julgai com justiça» (Alcorão, 4:58).

Assim, os três grupos da família global estão incluídos no âmbito da mensagem islâmica. O Islam dirige seu convite a toda a humanidade e apresenta princípios para a convivência com todos. Isso não é exclusivo do período do governo mundial do Imam al-Mahdi (A.S.); segundo a visão islâmica, até a chegada da era de sua aparição, o Islam possui uma mensagem e um programa para os demais membros da família global, sejam eles monoteístas não muçulmanos ou ateus.

O Alcorão afirma:

«Para que perecesse quem perecesse mediante uma prova clara, e para que vivesse quem vivesse mediante uma prova clara» (Alcorão, 8:42).

Se o caminho para distinguir a verdade da falsidade não permanecesse aberto em todas as épocas, o Alcorão jamais afirmaria que a perdição ou a salvação das pessoas ocorre mediante uma prova clara. Isso demonstra que os seres humanos devem ter a possibilidade de reconhecer a verdade e a falsidade de forma consciente e fundamentada.

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